domingo, 6 de março de 2011

Viva a Vida!


"Triteza não tem fim, felicidade sim!" Será?!

Minha querida amiga de UERJ, Marcinha, me mandou um e-mail mês passado falando que estava preocupada comigo, pois tinha lido meu blog (que surpresa!!) e não me via dando pulos de alegria sobre minha vida, muito pelo contrário, parecia que eu estava muito trite. Daí, eu também fiquei preocupada e fui conferir, já que eu mesma há algum tempo não tinha visitado meu blog (?!). Sim, era verdade! Desde meu aniversário, andava meio tristinha. Estava fazendo um balanço de final de ano e não havia muitas conquistas ou realizações a contabilizar (pelo menos na minha visão negativa do momento). Além disso, estava longe do ninho (colo da mamãe) por tanto tempo e sentia falta de carregar as baterias na minha terra natal, no seio da minha família. Eu e T viajamos muito no ano passado, aproveitamos o máximo por aqui, acompanhei-o até em viagens a serviço, mas sentia falta do "aconchego"... T pelo menos já tinha aproveitado as viagens a serviço pra fazer uma visita rápida aos pais, mas eu estava por aqui há dois invernos...
Lembro que quando cheguei em Viena há 3 anos, achei que teria algum empurrãozinho de pessoas conhecidas que poderiam me "apresentar" professionalmente. Essas pessoas simplesmente me foram indiferentes, me ignoraram. Senti-me impotente, insegura e acho que tive o que chamam de síndrome do pânico. Tudo o que eu sabia, acreditava e confiava em mim mesma estava abalado. Pensava que estava decepcionando meu marido, minha família e meus amigos que sempre se orgulharam e me apoiaram em tudo. Estava decepcionada comigo mesma. Depois de algum tempo, conheci pessoas novas, reencontrei velhos conhecidos e acabei recebendo apoio de outras pessoas das quais menos esperava, como a querida Sra Edna (mulher poderosa e competente da área nuclear que tive o prazer de conhecer, primeiro de nome, quando estagiei em Furnas, e depois pessoalmente, quando ela foi assessorar na INB), Sr Becker (que me apresentou no Laboratório da IAEA pra uma entrevista informal) e Angela, que me apresentou a uma network de mulheres professionais, possibilitando me sentir parte de algo, útil de alguma forma. Não tive sucesso profissional depois disso (o sonho de contruir uma carreira internacional ainda não se concretizou), mas só posso atribuir essa derrota a mim mesma, a minha falta de coragem... Então, aprendi a aceitar minhas fraquezas, minha impotência, e a ver outras vitórias em outros aspectos da vida.

Outra vez, reunida com algumas brasileiras por aqui, uma disse que conhecia uma mulher que tinha estudado tanto e depois cuidava de casa, o que parecia uma perda de tempo. Claro que a carapuça me serviu! Um colega de trabalho sempre que me encontra faz questão de dizer que eu era rão "feminista" e agora era uma "dona de casa"... Bem, o que essas pessoas, talvez por ignorância (falta de conhecimento) ou mesmo dificuldade de enxergar mais amplamente os fatos, não entendem é que o movimento feminista permitiu às mulheres escolherem, sim, o que quisessem ser ou fazer independente da opinião dos outros. Diferente do passado, quando as mulheres tinham que ficar em casa depois de casadas ou que as solteironas eram consideradas frustradas infelizes, hoje podemos ser o que quisermos ser, as escolhas são de cada uma e não impostas por maridos, família ou sociedade. Conheço mulheres solteiras, independentes e felizes. Conheço outras, donas de casa, dedicadas à criação dos filhos, realizadas e felizes. No meu caso, eu nunca tinha ficado parada na vida até mudar pra Viena. Deixei minha vida professional pra trás, pensando em me dedicar à família por aqui. Demorou até que chegasse a boa nova e muita coisa tive que escutar, viver e sentir... Mas, como já disse o rei RC, "se chorei ou se sorri , o importante é que emoções eu vivi..." Então, só posso dizer que aprendi a aceitar minha escolha sem remorso, sem vergonha, aceitar que o que eu mais quero no momento é ser mãe! E minha carreira professional não parou, apenas deu um intervalo no tempo pra que eu vivesse outras coisas, visse outro lado de uma vida sem horários, sem prazos, sem cobranças...até tudo isso começar de novo, muito em breve!
Não se preocupe, Marcinha, sou muito feliz, sinto-me abençoada em todos os aspectos da minha vida! E "estou" muito feliz com a possibilidade de uma nova descoberta, um novo desafio... Uma amiga disse que ela nunca tinha desejado uma coisa que não tivesse conseguido, que ela não sentia falta de nada. Depois da conversa, fiquei pensando que também tinha sido abençoada neste sentido, mas no meu caso, eu recebi coisas na minha vida que nunca tinha pensado, mas que chegaram como um milagre, uma dádiva... E só posso dar graças a Deus, meu melhor amigo fiel e onipresente!

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