sábado, 19 de fevereiro de 2011

Coisas do Egito (Parte 3)



Nosso segundo destino no Egito foi Luxor, uma cidade entre o deserto e o rio Nilo, também populosa, desorganizada e empoeirada, mas com muitos tesouros!! Conhecida como um dos maiores museus ao ar livre do mundo. O prefeito estava dando uma geral na cidade, abrindo ruas para saneamento e derrubando construções pra refazer o caminho que ligava os templos de Luxor com Karnak. Com isso, havia máquinas, muita poeira, desvio de trânsito, e todo um trabalho de escavação a ser iniciado... No entanto, por ser uma cidade menor, além de haver muitos turistas, a gente não teve problemas em andar pelas ruas e se vestir mais confortável, com shorts e camisetas.
Já no aeroporto, o taxista esperto nos cobrou uma fortuna para um trajeto de 10 minutos. Nosso hotel era grande (no passado, havia pertencido à rede Mercury), bem centralizado (de frente pro Nilo, íamos a pé ao centro e ao Templo de Karnak) e tinha uma maravilhosa piscina!! Do nosso quarto, tínhamos a vista da cidade e nçao do rio. O tempo estava bom, com sol. De manhã e à noite, esfriava um pouco, pedindo pra vestir um casaquinho, e durante o dia, fazia calor.

No primeiro dia, nosso roteiro: o Colosso de Memon, o Vale dos Reis e Rainhas e o Templo da Rainha Hatshepsut. Acordamos bem cedo, ainda escuro e conseguimos presenciar o nascer do sol. Aquelas esculturas gigantes nos davam uma primeira idéia de quão imensas e ricas deviam ser as construções daquele tempo antigo. E quão poderosos foram os Faraós!! No Vale dos Reis, onde visitamos 3 tumbas (apenas 3 são permitidas a cada visita, sem direito a foto desde a entrada principal), sobrou apenas a infraestrutura. O lugar foi violado várias vezes e apenas alguns dos tesouros e as múmias ainda podem ser vistos no Museu do Cairo. É impressionante imaginar como os escravos escavaram aqueles tunéis profundos com várias salas, usando ferramentas simples. E depois tudo foi decorado com desenhos que respeitavam as crenças de uma viagem triunfante do mundo dos vivos para os dos mortos. Lá está também a tumba de Tutankhamon, que foi encontrada intacta com tesouros e móveis que podem ser vistos também no Museu do Cairo (e ainda alguma parte foi roubada pelos próprios trabalhadores). O guia nos chamou a atenção pra algo interessante: se um rei jovem, que governou por tão pouco tempo (há suspeita de que foi assassinado), tinha tantos tesouros em seu túmulo, a gente pode imaginar o que não havia nas tumbas dos grandes reis, que foi roubado e nunca mostrado ao mundo! Em algumas tumbas, há desenhos cristãos cópticos, confirmando que eles também se esconderam por ali. O Templo da Rainha Hatshepsut também é fantástico, restaurado por uma missão de arqueologia polonesa. O guia nos falou que muitas coisas ali não eram mais originais! Fiquei fascinada com a história dessa mulher ambiciosa e poderosa que traiu e mentiu pra se tornar uma "faraó" com poderes divinos. No final, também foi traída e destruída.

Depois do passeio, atravessamos o rio Nilo de chalana bem enfeitada e fomos almoçar do outro lado. Era um self-service bem simples, cujas toalhas das mesas pareciam não ter sido limpas há algum tempo. Bem, a fome era negra e fechamos os olhos, rs.
O cais de Luxor é bem movimentado de turistas. Há uma calçada larga e bonita e na parte debaixo, há várias lojinhas e restaurantes, mostrando que algum governante está mesmo arrumando e valorizando a cidade como ponto turístico. De lá seguem os cruzeiros pelo Nilo, além das chalanas que atravessam de um lado pra outro e das felucas (barcos a vela), que nos levam pra passeios de fim de tarde. Infelizmente, os navios deixam muita sujeira no rio, além de poluirem a cidade com uma fumaça preta que sai das suas chaminés. De frente pro Nilo também se encontra o belíssimo e sofisticado hotel Winter Palace que um dia foi mesmo um palácio.
Neste dia, final da tarde, tivemos nosso passeio de feluca (incluído no pacote), com um rapaz bem falante que disse ter aprendido inglês de ouvido com os turistas e seguir a profissão que um dia foi de seu pai e que talvez será a do seu filho. Mostrou-nos orgulhoso a vela nova que tinha remendado, um álbum de fotos e nos ofereceu chá, que aceitamos por educação, mas com certo receio pela falta de higiene. Aproveitamos aquele momento de "relax", olhando o céu tão limpo e ao longe outras felucas percorrendo o Nilo. No final, ele nos cobrou a gorjeta, claro.












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